Marcoffee | Máquinas de Café

O jeito mais fácil de tomar café

Prepare o seu café, com o máximo de sabor e o mínimo de trabalho. A Marcoffee oferece uma linha completa de máquinas com a eficiência que você deseja e economia na medida certa.

Curiosidades

Muitas são as curiosidades sobre o café e aqui você pode conhecer algumas delas.

História do café

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O café pelo mundo

O café foi descoberto por um pastor de ovelhas em Kaffa, na Abissínia (hoje Etiópia, no continente africano). Ele percebeu que seus animais ficavam mais espertos ao comer folhas e frutos vermelhos de uma certa planta, o cafeeiro. O próprio pastor passou a consumir também os frutos e sentiu-se alegre e disposto.

Muitos outros moradores da região também adotaram o hábito, misturando-o em infusões, inclusive um monge que o utilizava para resistir ao sono enquanto rezava. O café ganhou o Oriente, onde foi torrado pela primeira vez na Pérsia.

O cultivo começou a ser feito pelos árabes e, devido ao fato, uma das espécies mais importantes de café tem o nome científico de Coffea arabica. Em 1675, o café chegou à Europa, sendo apreciado pelos ilustres pensadores, músicos e celebridades, incluindo Napoleão Bonaparte, imperador da França entre 1804 e 1815. Mas foi por meio dos holandeses que o café veio para a América e os primeiros países a receber a iguaria foram as Guianas, Martinica, São Domingos, Porto Rico e Cuba.

O café no Brasil

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A entrada do café no Brasil aconteceu em 1727, pelo oficial português Francisco de Mello Palheta. Ele foi enviado à Guiana Francesa pelo governador do Pará, João da Maia da Gama, para resolver problemas de fronteira, mas também para trazer sementes do fruto que tinha grande valor comercial.

Assim, mudas e sementes de café foram plantadas no Pará e dali espalhou-se o cultivo para outros estados, como Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais (ainda hoje onde há uma das principais culturas) e São Paulo, que no final do século XIX e início do século XX ficou conhecida como a "capital do café". Com o declínio das reservas de ouro em Minas Gerais e das crises internacionais do mercado de açúcar, vivemos o ciclo econômico do café no Brasil. O produto passou a ter influência também na política do país, com a alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais (notabilizada pela criação de gado leiteiro), que ficou conhecida como "política do café-com-leite".

Até os escravos ajudaram a fazer a história do café no Brasil, porque foram os primeiros a trabalhar nas grandes lavouras do Rio de Janeiro, Minas Gerais e parte do Estado de São Paulo. Mas a expansão do cultivo coincidiu com a época da abolição, o que causou preocupações nos fazendeiros de café. Em troca do apoio à campanha abolicionista, eles exigiram o incentivo do governo à vinda de imigrantes europeus para o país para trabalharem na lavoura, como foi o caso dos alemães e italianos. Hoje, o café é produzido principalmente nas cidades de Espírito Santo do Pinhal, Franca e Garça (SP), Guaxupé e Patrocínio (MG), Barreiras (BA), Jaguaré e São Gabriel da Palha (ES), Londrina (PR) e Vilhena (RO).

Café é bom todo dia

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Há uma grande discussão sobre o verdadeiro Dia Internacional do Café. Para alguns especialistas, a data seria 14 de abril. Isso porque, no início da década de 90, um grupo de produtores, exportadores e corretores formaram a Associação Cultural de Amigos do Café e instituíram essa data para comemorar no Brasil o Dia do Café.

Mas há quem diga que a verdadeira comemoração é no dia 15 ou 21 do mesmo mês. Já a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) considera 14 de março o Dia do Café porque corresponde à data de sua fundação, em 1973. Apesar da polêmica, todo dia é dia de tomar um delicioso café.

Vamos tomar uma bica?

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Em inglês, café é "coffee". Em alemão, kaffee. Em italiano, caffé. O interessante é que em francês e em espanhol, também é "café", mas, no português de Portugal, café é "bica"! Isso porque os primeiros cafés expressos de Lisboa eram vendidos, curiosamente, numa cafeteria chamada A Brasileira.

O gosto não agradou aos portugueses. Então, a loja criou um slogan para atrair a clientela. Dizia: "Beba Isso Com Açúcar". A frase ficou tão conhecida que as iniciais (BICA) passaram a significar cafezinho por lá.

Seu futuro na borra do café

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Para alguns povos, como os ciganos, a borra deixada pelo café ou pelo chá na xícara teria o poder de revelar o futuro de quem bebeu nela. Observe a figura que se formou no fundo da sua xícara. Veja se parece com algumas dessas figuras e conheça o significado:

  • * Âncora: sucesso nos negócios;
  • * Bengala: ajuda inesperada;
  • * Cachimbo: viverá um amor proibido;
  • * Escada: dificuldades pela frente;
  • * Espiral: pessoa querida está pensando em você;
  • * Estrela: felicidade em todos os setores;
  • * Linhas curvas: dificuldades futuras;
  • * Linhas paralelas: os caminhos estão abertos para a prosperidade;
  • * Linhas retas: sinal de determinação;
  • * Lua: romance em breve;
  • * Montes: sucesso profissional;
  • * Ovos: você está sendo traído;
  • * Pontos: herança ou aumento de salário;
  • * Porta: oportunidades futuras;
  • * Prédio: problemas com dinheiro;
  • * Quadrado: momentos de insatisfação e solidão no futuro;
  • * Sol: sorte e felicidade;
  • * Traços: novo projeto se aproxima;
  • * Triângulo: grande sorte no amor com um novo relacionamento.

Café pode prevenir cáries

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Os italianos adoram café e pesquisadores da Universidade de Ancona encontraram mais um bom motivo para eles manterem o hábito. Testes de laboratório detectaram que alguns dos componentes do café impedem a instalação de bactérias causadoras da cárie nos dentes.

Há tempos sabe-se que os grãos de café, verdes ou torrados, contém substâncias anti-bactericidas e anti-oxidantes, mas o modo de ação delas ainda é desconhecido. Já o chá e o suco de framboesa também têm substâncias que agem de forma parecida e estão sendo usados em pastas e soluções dentárias.

Café solúvel surgiu nos Estados Unidos

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O Congresso dos Estados Unidos obrigou o exército a mudar a bebida dos soldados, trocando o rum pelo café, em 1838. Mas a mudança trouxe problema pela falta de praticidade, então, os militares passaram a receber um extrato de café líquido. Era a primeira tentativa de fazer um café instantâneo.

Em 1901, o químico japonês Satori Kako inventou um café em pó instantâneo, comercializado na exposição Pan-Americana de Nova Iorque. Cinco anos depois, o norte-americano G. Washington aperfeiçoou a idéia e criou um solúvel refinado, que passou a ser consumido em grande escala, inclusive pelos soldados.

Café solúvel surgiu nos Estados Unidos

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O consumo de café na Europa remonta ao final do século XVII, quando os turcos chegaram a Veneza. Os otomanos já tinham o café como um de seus hábitos e o produto passou também a ser apreciado pela população local. Porém, os otomanos tomavam café por infusão: jogava-se água fervente em uma xícara, na qual havia café moído. Com o sabor que não agradava o paladar de todos, buscou-se inovações no preparo do produto.

No final do século seguinte, François Antoine Descroisilles, um farmacêutico francês, inventou a cafeteira, que possuía dois recipientes separados e que permitia que um filtro ficasse entre a água e o café. Anos mais tarde, Antoine Cadet de Vaux, um químico francês, inventou a cafeteira de porcelana. Outra revolução na forma de fazer café só foi observada no final da segunda guerra mundial, quando Achille Gaggia, inventor italiano, criou a máquina de café expresso.

Fonte: Coffee Break

Veja matéria da revista Globo Rural sobre o café brasileiro.

Café brasileiro

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, mas quando se fala em café de qualidade, consumidores pelo mundo afora pensam logo no café da Colômbia ou da América Central. Hoje tem muito produtor brasileiro tentando conquistar esse mercado.

As belas montanhas no sul de Minas abrigam um lugar de tradição no cultivo do café. Em Alfenas, município com setenta mil habitantes, a pouco mais de quatrocentos quilômetros de Belo Horizonte, a vida segue pacata em volta da igreja que como em quase toda cidade do interior fica na pracinha.

Pela estrada, as placas não deixam dúvida. Café na cidade é assunto importante e se expressa em várias línguas: francês, italiano, inglês, alemão, japonês. Uma das maiores fazendas de café da região é a Ipanema. Na verdade, são três áreas que, juntas, têm cinco mil e quinhentos hectares, com mais de 12 milhões de pés. 60% da produção se transforma no café especial, um produto que vale muito mais no mercado.

O diferencial dessa fazenda começa na colheita. O objetivo deles é buscar o maior percentual possível do café cereja. No mesmo pé é possível perceber que tem o grão verde, o cereja (que é o ponto certo de maturação), e o seco. 90% das fazendas brasileiras colhem de uma só vez, misturando todos os tipos de grão e prejudicando a qualidade. Para evitar isso, só colhendo por etapas. A primeira acontece em maio. Na safra, duas mil pessoas são contratadas para colher só os grãos cereja. Os verdes são deixados no pé. Em julho, os colhedores voltam para catar aqueles, que em maio estavam verdes e agora já ficaram maduros. Em agosto, um novo repasse.

Os trabalhadores não param: das sete e meia da manhã às quatro da tarde, o ritmo é forte. “Aqui é por produção. Se você não tirar muito, o máximo é o salário que a gente recebe, mas se apanha bastante, pega mais do que o salário. Se eu apanhar mais, eu recebo mais”, explica a trabalhadora rural da fazenda.

A outra fazenda do grupo, a Ouro Verde, é bem montanhosa. Do alto, os cafezais compõem um belo desenho e, de perto, é possível ver os pés carregados do mais valioso produto da Ipanema: o café bourbon. A cor dos grãos, dependendo da variedade (café, cereja ou maduro), pode ser amarela ou vermelha.

Colher o grão cereja é uma obsessão mesmo no local. Tanto que eles desenvolveram uma tecnologia de separação dos grãos, mesmo com a colhedeira mecânica, que é usada nas áreas menos acidentadas. Se a máquina passa pelo pé muito devagar e com vibração forte, acaba puxando todos os grãos, sem distinção. Com velocidade maior e um ajuste mais tênue da vibração, a máquina só arranca os grãos maduros, que soltam mais fácil.

A fazenda tem dez colhedeiras, que custam 150 mil dólares cada, ou cerca de 350 mil reais. Cada uma faz o serviço de setenta pessoas. Como a colheita é seletiva, o rendimento não é tão alto: em dez horas, colhe quarenta sacas de sessenta quilos.

A cada meia hora um caminhão recolhe, com uma espécie de guindaste, os sacolões de café. Depois da colheita, ainda tem uma segunda etapa de seleção dos grãos. Em vez de o café sair do pé e ir direto para o pátio pra secagem, antes ele passa por um lavador. Um processo pouco utilizado pela maioria dos produtores aqui no Brasil, mas que, pra se conseguir um café especial, é muito importante.

O diretor-geral da Ipanema explica que esse conjunto de máquinas, além de lavar o café, faz também a separação final dos grãos, porque, apesar de todo o cuidado na colheita, ainda tem muito grão misturado. “Aqui é importante porque é nessa fase que vai ser feita a distinção mais ampla da qualidade”.

O funcionamento é até simples: como o grão seco é mais leve, ele bóia e segue por um canal separado até o pátio de secagem. Já o grão verde ou o cereja, mais pesado, vai para outra máquina, o despolpador. “O despolpador é que vai fazer a separação do verde do cereja. O cereja, no processo de despolpamento, vai ser separado e você vai ter a semente e a casca. O verde também vai ser pressionado pela máquina, mas como ele tem rigidez maior, ele vai ser separado e diretamente levado ao pátio”.

O grão cereja dá origem a dois tipos de café: o despolpado e o descascado, dependendo do tipo de beneficiamento. No primeiro, ele vai para uns tanques, onde fica no máximo 24 horas para uma fermentação rápida. Esse processo retira o açúcar e aumenta a acidez do grão. O café despolpado rende uma bebida mais suave.

No segundo caso, o café não vai para o tanque. Segue direto para o pátio, onde vai secar lentamente durante três dias. É o chamado café descascado, uma bebida mais forte, cremosa. Somente esses dois tipos de café, obtidos dos grãos cerejas, rendem os chamados cafés especiais. “Cada um vai atender a um tipo de mercado. Cada um tem um destino próprio em função da demanda do mercado. O mercado de cafés descascados é mais para a Itália e Japão. Já o café despolpado vai para o norte da Europa e para os Estados Unidos”.

O consumo de cafés finos no Brasil ainda é pequeno. A maior parte do produto destinado ao mercado interno é aquele café seco que fica boiando no lavador e vem direto para o terreiro de secagem. O terreiro tem mais de três hectares e o serviço de reviragem é feito por microtratores.

Para não misturar os grãos em diferentes estágios de secagem, o pátio é divido em lotes, cada um identificado com placas. Primeiro, os grãos ficam por três dias para perder 60% da umidade interna. Dali, vão para os grandes secadores, onde ficam até atingir a umidade ideal, que é de 12%.

Em caso de chuva, o tempo que o café fica no terreiro é abreviado. O trator amontoa os grãos que caem num buraco e seguem por esteiras subterrâneas até os secadores. Fica mais caro, mas o resultado é o mesmo.

Depois da secagem, o café comum já está pronto para comercialização. Já os cafés especiais vão para um galpão, onde passam pela primeira classificação, sofisticada, com leitura por fotocélula, numa velocidade impossível de ver a olho nu. Daí, o café especial sai para conquistar o paladar de consumidores pelo mundo. Sai o grão verde, que é torrado, moído e embalado lá fora, mas pra isso, a fazenda ainda precisa cumprir duas exigências que, à primeira vista, pouco têm a ver com a qualidade do produto: o cuidado como meio-ambiente e o respeito ao trabalhador.

O Globo Rural mostra os cuidados necessários que uma fazenda produtora de café tem que tomar na área social e na ambiental para conquistar o mercado externo.

Que o nosso café é exportado para várias partes do mundo não é novidade. 30% da produção vai para o mercado externo. O que há de novo é que os cafés especiais estão conquistando esses mercados, embora ainda representem menos de 1% da exportação para o Japão, Estados Unidos, Europa e, em breve, Austrália. Para entrar nesses países, a fazenda precisa comprovar não só a qualidade do produto, mas também que ela respeita o meio-ambiente e os trabalhadores, para obter as chamadas certificações internacionais.

Algumas certificadoras exigem mais de 150 normas a serem seguidas. O produtor pode falhar em, no máximo, cinco.

Para conseguir uma das certificações internacionais mais importantes, era preciso criar um projeto ambiental. Para a certificadora não era suficiente fazer simplesmente um reflorestamento. A exigência era que fosse reconstruído o ecossistema que existia antes da área virar uma fazenda.

O diretor-geral da Ipanema leva a equipe para a represa de Furnas, que margeia a propriedade. No local, eles terão que recuperar 800 hectares em dez anos, cerca de um quarto da área total. 650 mil árvores deverão ocupar o lugar dos cafezais. Investimento de mais de um milhão de reais só no reflorestamento.

“Há um estudo prévio de qual é exatamente o tipo de árvores que vai ser colocado para possibilitar a reintegração dessa fauna rapidamente e como isso vai atrair todo tipo de mamíferos, aves, para recompor conceitualmente o ecossistema que existia nessa região antes das primeiras interferências agrícolas. Então, é uma coisa de voltar no tempo uns oitenta anos. Isso é muito mais complexo do que simplesmente fazer um reflorestamento”.

A partir de um projeto de parceria com a ESALQ - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba, São Paulo, a fazenda montou um viveiro com mudas de 24 espécies nativas, como o embrião de sapo, a paineira, o ingá de pobre e o pau brasil.

O replantio começou há dois anos e noventa mil mudas já foram plantadas, mas a gestão ambiental não pára por aí.

É preciso também diminuir o uso de agrotóxicos nos cafezais. Uma das formas é reaproveitar o subproduto do café como adubo.

Uma máquina - a trincha - vai e volta várias vezes pelas ruas do cafezal. Tritura tudo o que encontra pela frente: folhas, restos de poda, até galhos mais grossos.

“Depois que a máquina passa, fica uma camada que protege o solo e com isso eu não preciso usar herbicida. Essa matéria vai ajudar, porque ela vai decompor e diminuir o uso de adubo”, explica o agrônomo.

O agrônomo e gerente agrícola da fazenda mostra uma montanha de palha que também vai ser jogada no cafezal. “Tem a casca do café, tudo o que sobrou lá depois do beneficiamento do café. Todo esse material retorna para a lavoura e aumenta a matéria orgânica do solo. Ele vai funcionar como um adubo”.

Além da adubação orgânica, as lavouras recebem uma complementação química, na forma líquida. A água também é reciclada, utilizando aquela que foi usada na lavagem do café. Com rodas d’água e bombas carneiro, que não necessitam de energia elétrica, a água vai para os lavadores, depois passa por uma decantação em piscinas e aí, vai para a irrigação. Com esse sistema, a fazenda gasta um décimo da água que normalmente precisaria. Tudo conta ponto na certificação internacional, que não dispensa outra exigência fundamental além do cuidado com a natureza: o respeito às pessoas.

A fazenda tem dez projetos sociais em andamento. Para as mulheres de funcionários, foi criado um curso de costura. Os uniformes dos empregados da fazenda são feitos no local e o valor das peças fica com elas. A farmácia atende a comunidade carente da região, com distribuição gratuita de remédios. Para as crianças, aulas de computação, de pintura e leitura na biblioteca. Tudo isso vai ser muito importante na hora de vender o café lá fora, como explica o gerente de novos mercados da fazenda.

“As empresas lá fora querem saber que você tem essa preocupação com o social, com o ambiental e querem comprar um café de qualidade. Por isso, escolhem empresas que têm esse diferencial, essa preocupação para poder investir. Na Europa, no mundo tudo isso já é uma preocupação bastante presente. O Brasil está envolvido em questões como o trabalho escravo, a mão de obra infantil na fazenda e a preservação do meio ambiente”.

A fazenda Ipanema já obteve quatro certificações internacionais. Sem descuidar do produto final, o café também passa por vários testes de qualidade. Numa sala, os grãos são classificados. As amostras dos três tipos de beneficiamento são o café em coco ou natural, que saiu do lavador e foi direto para o terreiro; o café cereja descascado, que tem cor de caramelo; e o café cereja despolpado, que conquistou americanos e europeus.

Café quebrado, lascado ou esverdeado não vai para exportação. Os lotes são classificados de acordo com o número de defeitos. “O cafezinho que a gente toma diariamente em casa aqui no Brasil tem geralmente trezentos, quatrocentos defeitos. O mínimo que já encontrei de defeitos foram seis defeitos, oito defeitos e também já encontrei com quatro mil defeitos”.

Classificar os lotes é importante para definir o destino de cada tipo de café. Com todos esses cuidados, o custo de produção na fazenda Ipanema chega a setenta dólares por saca. Os preços de exportação variam entre 120 e 170 dólares a saca. Mais da metade da produção segue para o mercado externo. Hoje em dia existem 300 mil produtores no Brasil. De café fino são apenas duzentos, mas esse é um mercado que tem tudo para crescer.

Antes de terminar a visita, uma prova definitiva de qualidade. Água fervendo. Numa grande mesa redonda, amostras de sete variedades: grãos torrados e moídos na hora. O degustador de cafés vai jogando a água fervente nas xícaras, mistura e cheira. Espera esfriar um pouco e começa a desgustação.

Ele não engole. Um movimento preciso e sincronizado de sugar, sentir o gosto e empurrar a bebida com a língua pra fora. “Eu poderia engolir sim, não há problema nenhum, mas nós provamos tantas xícaras por dia, cerca de 300, 400, que imagina se eu fosse tomar todo esse café. Então, o degustador, o provador, puxa esse café, traz até a garganta, até o fundo da língua, porque as melhores papilas estão no fundo da língua e ela vai absorver melhor as qualidades ou defeitos e a gente volta com ele. Isso não irrita a garganta, nem nada, é até prazeroso fazer isso. Mais do que beber”.

Ele prova cada lote e faz anotações. São cinco itens para análise: aroma, corpo, acidez, retrogosto e sabor.

“Com o aroma nós pegamos 80% do que o café é, tanto em qualidade e defeito. Se ele for bom, ele vem destacado, vem aquele cheiro adocicado, realmente aquela coisa prazerosa. E quando ele não é de boa qualidade, você já sente no cheiro de odoforme. É um cheiro de cloro da água. Quando você sente um cheiro bom é cheiro frutado, de uma fruta madura, o cheiro do caramelizado, do achocolatado, do floral, do cítrico são as características positivas do café”.

“Corpo é a sensação de viscosidade, sensação forte, aquela presença marcante. A acidez tem dois tipos: Aquela prazerosa acidez de um café claro, limpo, e aquela ruim e pegajosa, acre, que lembra verde. O retrogosto é quando você toma o café e fica aquela sensação no fundo da garganta, boa ou ruim. Quando é boa, meia hora depois você estará lembrando daquele cafezinho e terá vontade de tomar outro. Quando é ruim, dali a cinco minutos você já esqueceu que tomou o café. Já o paladar, o que eu senti no aroma praticamente vou sentir no paladar também. O café frutado tem gosto de fruta. São inúmeras frutas. Pode ser carambola, pode ser uva, amora, amora preta. Você relaciona o café a várias frutas”.

Claro que ninguém precisa ficar decepcionado se não encontrar gosto da fruta preferida numa xícara de café, mas se a gente aprender que um cafezinho é mais que um simples cafezinho, quem sabe os cafés especiais também passem a conquistar o paladar e as xícaras dos brasileiros.

No mundo todo, o consumidor se torna a cada dia mais exigente. Isso vale para o café e também para outros produtos, como as frutas, as hortaliças, o leite, as carnes. Para atender esse mercado, o agricultor precisa ficar sempre de olho nos custos e na melhoria da qualidade daquilo que produz.

Fonte: Site Globo Rural